Patrícia de PaulaAdvocacia Previdenciária

Auxílio-acidente por profissão

Pescador artesanal acidentado: seus direitos no INSS

O pescador artesanal é segurado especial perante o INSS, e por isso tem direito ao auxílio-acidente, mesmo sem nunca ter pago carnê. Se você ficou com uma sequela permanente que reduz a capacidade de pescar, existe direito. O desafio prático costuma ser comprovar a atividade pesqueira.

Acidentes comuns na pesca artesanal

  • Amputação ou esmagamento de dedos em guincho, cabo, rede e motor.
  • Lesão de ombro e coluna pelo esforço de puxar rede e içar peso.
  • Queda no convés ou na embarcação, com fratura de tornozelo, joelho ou costela.
  • Corte profundo na limpeza do pescado, com perda de movimento na mão.
  • Ferimento por espinho de peixe e arraia, com infecção e sequela permanente.
  • Problemas de audição e visão pela exposição prolongada a motor, sol e maresia.

Como comprovar que você é pescador

A prova da atividade é o ponto decisivo. Servem como início de prova material:

  • RGP (Registro Geral da Atividade Pesqueira), o documento mais forte.
  • Carteira e recibos de colônia ou associação de pescadores.
  • Notas de venda do pescado.
  • Comprovante de recebimento do seguro-defeso.
  • Documentos da embarcação e de licença de pesca.
  • Certidão de casamento ou de nascimento com a profissão de pescador.

Assim como no trabalho rural, documentos em nome do cônjuge ou dos pais podem ser aproveitados, e a prova testemunhal de outros pescadores da colônia tem peso relevante na Justiça.

Marisqueira e catadora de caranguejo também contam

Quem trabalha na mariscagem, na cata de caranguejo ou no beneficiamento artesanal do pescado também é enquadrado como segurado especial, e tem os mesmos direitos.

As lesões mais frequentes nessa atividade são de coluna, ombro e mãos, pelo esforço repetitivo e pela posição de trabalho, e costumam ser tratadas como "desgaste natural", quando na verdade podem configurar sequela indenizável.

Se o pedido for negado

A negativa quase sempre vem por dúvida sobre a atividade pesqueira, não sobre a lesão. Reunir a documentação da colônia e testemunhas costuma virar o jogo.

Você tem 30 dias para recorrer administrativamente e ainda pode ingressar na Justiça. Veja o que fazer quando o INSS nega.

Pescador: ficou com sequela depois de um acidente?

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Perguntas frequentes

Sou pescador e nunca paguei INSS. Tenho direito a benefício?+
Sim. O pescador artesanal é segurado especial e tem direito aos benefícios do INSS comprovando a atividade pesqueira, sem precisar de contribuição mensal em carnê.
Perdi um dedo puxando rede. Tenho direito ao auxílio-acidente?+
Provavelmente sim. A perda de dedo reduz de forma permanente a capacidade de trabalho na pesca, que é exatamente a hipótese do auxílio-acidente para o segurado especial.
Recebo seguro-defeso. Isso ajuda a provar?+
Ajuda bastante. O comprovante de recebimento do seguro-defeso é uma prova relevante de que você exerce a atividade pesqueira artesanal.
Sou marisqueira. Tenho os mesmos direitos do pescador?+
Sim. A mariscagem e a cata de caranguejo são enquadradas como atividade de segurado especial, com os mesmos direitos.
Meu ombro não levanta mais depois de anos puxando rede. Conta como acidente?+
Pode contar. Lesão por esforço repetitivo é equiparada a acidente para fins previdenciários quando decorre do trabalho e deixa limitação permanente.
Não tenho RGP. Perdi o direito?+
Não. O RGP é a prova mais forte, mas não é a única. Recibos de colônia, notas de venda, documentos da embarcação e testemunhas também comprovam a atividade.

Patrícia de Paula · Advogada · OAB/ES 36.991. Atualizado em julho de 2026.

Conteúdo informativo, não substitui a análise do seu caso concreto por um advogado.