Auxílio-acidente por lesão
Meu ombro não levanta mais depois da fratura: tenho direito?
O que você provavelmente está sentindo
Quem passou por fratura de clavícula, luxação ou lesão no manguito rotador costuma relatar exatamente isto:
- O braço não passa da linha do ombro, ou só sobe com muito esforço e dor.
- Não consegue mais dormir do lado do ombro machucado.
- Dificuldade para colocar o braço para trás, como para pegar a carteira ou fechar o sutiã.
- O ombro estala, trava ou sai do lugar em certos movimentos.
- Perda de força para levantar peso acima da cabeça.
- Uma saliência no osso que ficou depois que a clavícula colou.
- Formigamento descendo pelo braço, quando houve estiramento de nervo.
Nada disso aparece bem num raio-X que mostra o osso colado. É por isso que tanta gente recebe alta sentindo tudo isso.
Como essa limitação atrapalha no trabalho
O ombro é a articulação que mais define quem consegue ou não exercer trabalho braçal. Alguns exemplos concretos:
- Pedreiro e servente: não consegue mais levantar balde, saco de cimento ou trabalhar com o braço erguido rebocando teto.
- Pintor e gesseiro: o trabalho é praticamente todo acima da linha do ombro, justamente o movimento perdido.
- Motoboy e motorista: dificuldade para manobrar, segurar guidão em trepidação e amarrar carga.
- Estoquista e carregador: não sustenta caixa acima do peito nem faz movimento repetido.
- Cabeleireira e costureira: braço erguido por longos períodos torna-se insuportável.
- Lavrador: capinar, colher e carregar saco ficam limitados.
Por que o INSS costuma negar esse caso
Na fratura de clavícula existe um argumento quase automático do perito: "a fratura está consolidada". E está mesmo. O osso colou. Só que osso colado não significa ombro funcionando.
O auxílio-acidente não pergunta se o osso sarou. Ele pergunta se sobrou limitação permanente. Uma clavícula perfeitamente consolidada pode conviver com um ombro que perdeu 40% da amplitude de movimento, e isso é exatamente o que gera o direito.
Se o seu laudo diz apenas "fratura consolidada de clavícula", ele está trabalhando contra você. Ele precisa dizer o que você não consegue mais fazer.
Os exames que provam essa limitação
- Goniometria: medição da amplitude do movimento em graus. É o exame que transforma "não levanto o braço" em número objetivo.
- Ressonância magnética do ombro, que mostra lesão de tendão e manguito rotador, invisível no raio-X.
- Ultrassom de ombro, útil para tendinite e rupturas.
- Relatório do ortopedista relacionando a limitação com a sua profissão.
- Histórico de fisioterapia, infiltração ou nova cirurgia, que comprova que o problema persistiu.
Peça ao seu médico que escreva algo como: "paciente apresenta limitação de elevação do membro superior direito acima de 90 graus, com dor, incompatível com sua atividade de pedreiro". Essa frase vale mais que dez exames soltos.
O que a lei exige, em poucas linhas
Três coisas: que a sequela seja permanente, que ela reduza a capacidade para o trabalho que você exercia, e que exista ligação com o acidente ou a doença.
Não precisa estar incapaz para tudo, nem precisa ser lesão grave. Basta trabalhar com mais esforço, mais dor ou mais dificuldade. Veja o funcionamento completo do auxílio-acidente.
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Analisar minha lesãoPerguntas frequentes
Quebrei a clavícula, colou, mas meu braço não levanta direito. Tenho direito?+
Coloquei placa e parafuso no ombro. Isso conta?+
O INSS já me deu alta. Perdi a chance?+
Meu ombro sai do lugar toda hora desde o acidente. Isso é sequela?+
Ainda consigo trabalhar, só que com dor. Isso atrapalha meu pedido?+
Faz três anos que me acidentei. Ainda dá tempo?+
Patrícia de Paula · Advogada · OAB/ES 36.991. Atualizado em julho de 2026.
Conteúdo informativo, não substitui a análise do seu caso concreto por um advogado.