Patrícia de PaulaAdvocacia Previdenciária

Auxílio-acidente por lesão

Meu ombro não levanta mais depois da fratura: tenho direito?

Se depois da fratura ou da cirurgia o seu braço não sobe como antes, dói para levantar peso ou não sustenta esforço, e isso é permanente, existe uma boa chance de você ter direito ao auxílio-acidente. Ele é pago junto com o salário, então você pode continuar trabalhando e receber.

O que você provavelmente está sentindo

Quem passou por fratura de clavícula, luxação ou lesão no manguito rotador costuma relatar exatamente isto:

  • O braço não passa da linha do ombro, ou só sobe com muito esforço e dor.
  • Não consegue mais dormir do lado do ombro machucado.
  • Dificuldade para colocar o braço para trás, como para pegar a carteira ou fechar o sutiã.
  • O ombro estala, trava ou sai do lugar em certos movimentos.
  • Perda de força para levantar peso acima da cabeça.
  • Uma saliência no osso que ficou depois que a clavícula colou.
  • Formigamento descendo pelo braço, quando houve estiramento de nervo.

Nada disso aparece bem num raio-X que mostra o osso colado. É por isso que tanta gente recebe alta sentindo tudo isso.

Como essa limitação atrapalha no trabalho

O ombro é a articulação que mais define quem consegue ou não exercer trabalho braçal. Alguns exemplos concretos:

  • Pedreiro e servente: não consegue mais levantar balde, saco de cimento ou trabalhar com o braço erguido rebocando teto.
  • Pintor e gesseiro: o trabalho é praticamente todo acima da linha do ombro, justamente o movimento perdido.
  • Motoboy e motorista: dificuldade para manobrar, segurar guidão em trepidação e amarrar carga.
  • Estoquista e carregador: não sustenta caixa acima do peito nem faz movimento repetido.
  • Cabeleireira e costureira: braço erguido por longos períodos torna-se insuportável.
  • Lavrador: capinar, colher e carregar saco ficam limitados.

Por que o INSS costuma negar esse caso

Na fratura de clavícula existe um argumento quase automático do perito: "a fratura está consolidada". E está mesmo. O osso colou. Só que osso colado não significa ombro funcionando.

O auxílio-acidente não pergunta se o osso sarou. Ele pergunta se sobrou limitação permanente. Uma clavícula perfeitamente consolidada pode conviver com um ombro que perdeu 40% da amplitude de movimento, e isso é exatamente o que gera o direito.

Se o seu laudo diz apenas "fratura consolidada de clavícula", ele está trabalhando contra você. Ele precisa dizer o que você não consegue mais fazer.

Os exames que provam essa limitação

  • Goniometria: medição da amplitude do movimento em graus. É o exame que transforma "não levanto o braço" em número objetivo.
  • Ressonância magnética do ombro, que mostra lesão de tendão e manguito rotador, invisível no raio-X.
  • Ultrassom de ombro, útil para tendinite e rupturas.
  • Relatório do ortopedista relacionando a limitação com a sua profissão.
  • Histórico de fisioterapia, infiltração ou nova cirurgia, que comprova que o problema persistiu.

Peça ao seu médico que escreva algo como: "paciente apresenta limitação de elevação do membro superior direito acima de 90 graus, com dor, incompatível com sua atividade de pedreiro". Essa frase vale mais que dez exames soltos.

O que a lei exige, em poucas linhas

Três coisas: que a sequela seja permanente, que ela reduza a capacidade para o trabalho que você exercia, e que exista ligação com o acidente ou a doença.

Não precisa estar incapaz para tudo, nem precisa ser lesão grave. Basta trabalhar com mais esforço, mais dor ou mais dificuldade. Veja o funcionamento completo do auxílio-acidente.

Seu ombro não é mais o mesmo depois do acidente?

Envie seus exames pelo WhatsApp. Analisamos a limitação e dizemos com franqueza se o caso tem chance.

Analisar minha lesão

Perguntas frequentes

Quebrei a clavícula, colou, mas meu braço não levanta direito. Tenho direito?+
Pode ter. A consolidação da fratura não elimina o direito. O que importa é a limitação de movimento que ficou. Fratura consolidada com perda de amplitude é justamente a hipótese típica do auxílio-acidente.
Coloquei placa e parafuso no ombro. Isso conta?+
A cirurgia em si não define o direito, mas costuma indicar lesão relevante. O que decide é a limitação funcional que permaneceu depois da recuperação.
O INSS já me deu alta. Perdi a chance?+
Não. A alta apenas encerra o auxílio-doença, que é temporário. O auxílio-acidente nasce justamente depois da alta, quando a sequela se consolida. São benefícios diferentes.
Meu ombro sai do lugar toda hora desde o acidente. Isso é sequela?+
A luxação recidivante é uma sequela reconhecida, porque gera insegurança e limitação permanente no uso do braço, principalmente em trabalho com esforço.
Ainda consigo trabalhar, só que com dor. Isso atrapalha meu pedido?+
Pelo contrário. O auxílio-acidente é exatamente para quem continua trabalhando com capacidade reduzida. Ele acumula com o salário.
Faz três anos que me acidentei. Ainda dá tempo?+
Pode dar. É possível requerer depois, inclusive com valores retroativos, respeitado o prazo de prescrição das parcelas.

Patrícia de Paula · Advogada · OAB/ES 36.991. Atualizado em julho de 2026.

Conteúdo informativo, não substitui a análise do seu caso concreto por um advogado.